A Bicicleta nesses Tempos tão Difíceis

A Bicicleta nesses Tempos tão Difíceis . Logo no início da pandemia, a imagem de satélite mostrando a drástica redução dos níveis de poluição da China, durante as restrições impostas às atividades de transporte e de negócios, já anunciava um presságio de uma grande transformação que estaria por vir. Uma transformação global, novos hábitos foram criados, a forma de trabalho, de estudo e de consumo foi reinventada.

A Bicicleta nesses Tempos tão Difíceis. Foto originalmente publica no Portal G1
A Bicicleta nesses Tempos tão Difíceis – Europa incentiva o uso de bicicleta após o desconfinamento

Um novo olhar pairou, não somente sobre o mundo, mas sobre nós mesmos, sobre como estamos lidando e nos relacionando com o mundo e sobre o impacto que temos no nosso entorno, que acaba reverberando no universo.

Minha experiência pessoal


As primeiras mudanças dessa quarentena começaram na minha rotina, onde deixei de transitar nas ruas, para ficar em casa em home office. Como adepta ao uso da bicicleta para ir e voltar ao trabalho, já percebi diferença logo nos primeiros dias.

Usar a magrela para mim é muito mais do que um meio de transporte, é um ato revolucionário, é lutar diariamente por um espaço no trânsito, é ser visto para que outros ciclistas também se reconheçam e ocupem as ruas, é construir um mundo onde haja mais cuidado com o outro. Porque pedalar é se despir completamente e encontrar força na sua vulnerabilidade.

Começar o dia pedalando é transformador, chegar disposta e cheia de energia no trabalho, apesar da lomba da Nilo Peçanha (uma subida bem inclinada em Porto Alegre) logo na chegada. Acredito que sejam as endorfinas sendo liberadas ou a brisa batendo no rosto. O dia não é o mesmo sem essas pedaladas diárias, mas é tempo de nos readaptarmos.

A bicicleta mundo a fora


Algumas cidades no mundo, durante esse período de quarentena e desconfinamento, passaram a adotar algumas medidas como o incentivo do uso da bicicleta, que não só desafoga o transporte público e evita aglomerações, mas também colabora para a redução da poluição e aumento da atividade física. Um estudo publicado recentemente pela Universidade de Harvard afirma que a melhora atmosférica tem relação direta com o combate ao coronavírus.
Na capital colombiana foram implantadas 117km de ciclofaixas temporárias. O Portal de Mobilidade Urbana Sustentável publicou em março desse ano a mensagem que a prefeitura de Bogotá anunciou para os seus habitantes: “Lave suas mãos e tente ficar em casa. Mas, se você precisar sair, considere pegar uma bicicleta”. Lembrando, é claro, que deve-se manter uma distância segura entre os pedestres e outras pessoas, para evitar o contágio.
A França, que agora vive o período final da quarentena, está apostando que a população troque o transporte público pelo uso de bicicletas como meio de transporte, com o intuito de evitar uma nova onda de disseminação do covid-19.

Para isso, o governo francês criou algumas medidas de incentivo para os franceses pedalem, tais como um auxílio individual de 50 euros por pessoa para que a população faça reparos nas suas bicicletas com mecânicos registrados, construção de novas ciclovias ao longo dos caminhos de linhas de metrô movimentadas, estacionamentos temporários seguros para as bikes e treinamentos, essas medidas totalizaram um pacote de 20 milhões de euros. Em tempos normais, 60% das viagens feitas na França, são inferiores a 5 quilômetros, vislumbrando as bicicletas como ”uma verdadeira solução de transporte”, conforme afirma a Ministra da Transição Ecológica da França, Elisabeth Borne.
Outras cidades europeias, que estão passando por esse momento de desconfinamento, também anunciaram medidas de incentivo ao uso do meio transporte de duas rodas, como Bruxelas, Milão e Berlim que ampliaram suas ciclovias. Milão, além disso, começou a realocar espaço de algumas de suas principais estradas para ciclismo e caminhada.

A cada pedalada um novo olhar sobre a cidade e a natureza


Que a cada pedalada, a bicicleta se torne a grande propulsora de um novo olhar sobre nós mesmos, sobre o outro e sobre a cidade nesses tempos tão difíceis. Depois que comecei a pedalar, tive um novo olhar sobre tudo à minha volta, mas isso é uma longa história que te conto nas próximas postagens.

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Autora Fernanda Goulart Leques, engenheira civil e ciclista é a responsável pela nova “coluna” deste Blog sobre Mobilidade Urbana

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