Eu prefiro decidir errado que ser omisso

Eu prefiro decidir errado que ser omisso . Ou parado assistindo tudo o que acontece ao meu redor. Este mês completei 40 anos de formatura na Escola Superior de Administração Postal. Uma marca e tanto. Volto no tempo…

Eu prefiro decidir errado que ser omisso foto orignal Em cima do Muro fonte: Universal.org
Eu prefiro decidir errado que ser omisso

No dia da formatura, escutei com atenção o discurso do então presidente dos Correios Advaldo Cardoso Botto de Barros, o famoso coronel Botto. Mais que um discurso protocolar era uma verdadeira lição de gestão.

O mundo está cheio de engenheiro de resultados. Não fiquem em cima do muro. Decidam. É muito fácil depois que levantaram a parede colocar os defeitos: Está torta! Faltou reboco! Não tenham medo de decidir. Se errar tenha a humildade de corrigir. As empresas pagam um preço mais caro com a omissão.

Advaldo Cardoso Botto de Barros

Foi uma grande lição. Carrego até hoje estas palavras como um mantra.

Entenda bem o problema…

E resolvi adotar o princípio de Paretto. Procuro ter mais de 80% de certeza do que fazer em qualquer situação e decido no momento necessário. Claro que quanto mais informação, melhor. E para isto cada vez mais as empresas criam bases de dados mais precisas e complexas com o uso de Inteligência Aplicada ou Artificial (IA).

Mas o poder é solitário. Há momentos em que é preciso decidir e não há como compartilhar a responsabilidade. Ela é “indelegável” (se é que existe esta palava!). Já os resultados positivos de qualquer decisão são uma conquista coletiva.

Quase 15 anos depoisde pois de forma tive algumas oportunidades de conhecer melhor o Coronel Botto. A esta altura da vida estava no comando da União Postal Universal próximo do fim do seu mandato e eu prestando consultoria para aquela Agência das Nações Unidas. Em um dos nossos breves encontros relembrei o quanto aquelas palavras tinham me marcado.

Na maioria das vezes, tomamos pequenas decisões e, se eventualmente não for a melhor, podemos corrigí-la e otimizar os resultados. E isto é um processo contínuo.

Agora, quando não decidimos, o problema se agrava. A situação se deteriora e isto tem um efeito quase exponencial. O trabalho para corrigir quase sempre é muito maior e mais caro do que se fosse feito no começo do problema.

O Medo de Errar

Há um medo generalizado de convivermos com as críticas. E nos dia de hoje temos o fenômeno das redes sociais como memes, bloqueio, unfollow, deslike e outras formas de reprimendas públicas.

Este efeito “congelante” estimula o surgimento de uma legião de executivos medrosos que querem ter 100% de certeza para tomar a decisão e com isto perdem o “timing”. Não fique em cima do muro.

Decida

Analise com calma a situação. Estude as diversas alternativas. Não confie somente na sua intuição ela pode ter trair. Revise os dados. Consulte as pessoas que podem contribuir para a solução do caso. Veja se sua decisão está dentro do seu escopo de atuação. Não se precipe agindo em áreas ou níveis que não lhe dizem respeito. Cuidado! Temos uma tendência de avançar o sinal e decidir assuntos de terceiros que ficam escondidos na posição de espectador esperaldo para ver se as coisas se resolvem por si mesmas. Mas se assunto lhe diz respeito e se Você tem as condições de julgar o melhor caminho, ao final, decida.

Leia também : Primeiro passo é metade do caminho (clique aqui para ler o artigo).

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